sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Se ninguém me representa , eu me represento e peço a todos que compartilhem.

No dia 29 de outubro  tomei o vôo 1686 Air France  rumo a Edimburgo, chegando às 10:40 am.  Ficaria no Reino Unido mais ou menos 1 mês e meio,  ficaria na casa de um casal Tom, filho de embaixador que serviu no Rio de Janeiro, e   Carmem sua esposa.  Tom pretende ir ao Brasil o ano que vem para estudar rabeca em Pernambuco.  Eu  ficaria na casa deles, ensinaria um pouco de português num programa de troca cultural workaway, e aprenderia o inglês  inclusive já estava reservando uma escola desde  junho.
  Quando cheguei e fui passar na imigração  uma senhorita  pegou meu passaporte fez as perguntas , falei o que faria,  e  mostrei-lhe minha declaração de meu período sabático na minha universidade, meu contrato de trabalho no Brasil, seguro saúde,   meu tempo de turista em dia, cartões de crédito, enfim, tudo. Entretanto, a senhora  não me deixou entrar, me colocaram esperando no aeroporto por 9 horas sem comer  e beber,eu tinha que pedir pelo amor de Deus por um copo d'água, me interrogaram várias vezes, revistaram minha bagagem,  me entrevistaram com um intérprete e sismaram que eu ia  trabalhar e que isso era ilegal. Por mais que eu explicasse que  se tratava de um programa de troca cultural não adiantou.  Queriam então que eu assinasse e colocasse minhas digitais, me levaram para um cubículo fechado com todas as coisas e 3 guardas, eu me recusei a assinar pois disse que não sabia o que estava ali escrito e não poderia por isso assinar. Depois disso fiquei esperando mais 1 hora, e voltaram  dizendo que eu estava detida e que iria passar a noite numa casa de detenção, pois havia me recusado a assinar o papel e no dia seguinte  voltaria a Paris.  Fiquei desesperada,  comecei a chorar e falei:  me traduzem que eu assino isso, mas não vou à casa de detenção, não sou criminosa,não fiz nada ilícito só quero conhecer o país,   as cidades e museus, tenho emprego, tenho dinheiro, tenho tickete de volta ao Brasil.   
Nada disso adiantou, de novo me puseram na salinha, traduziram algumas coisas, um cara  que falava um péssimo espanhol querendo me enganar falando que se eu colocasse as digitais teria uma entrevista, eu  dizia,  já tive a entrevista, ele fingia que não entendia.
 Sendo constrangida por 3 guardas que por vezes pareciam  que também estavam achando aquilo um horror,  eu chorava e explicava,  eu dizia não vou a detenção, me arrumem um vôo agora, não quero mais ficar aqui.   
Por fim, já era isso 18 horas  eles vendo que tinham errado, mesmo assim não voltaram atrás.  Apreenderam meu passaporte  e disseram que eu poderia sair e dormir onde quisesse e que voltasse dia seguinte às 9 horas para voar para Paris.   Ou seja, se eu quisesse ficar ilegal , ou quisesse sumir, eu teria feito.
 Sai do aeroporto peguei um táxi até o centro na casa do Tom,   dormi lá e dia seguinte às 9 horas estava no aeroporto, eles me puseram um carimbo no passaporte com uma cruz encima, o que sujou meu passaporte pois significa visto negado e deportada como fui.  Somente me devolveram meu passaporte e meus outros documentos dentro da sala de embarque , apesar dos muitos argumentos de Tom, eles não  retrocederam e cada hora colocavam pessoas diferentes para ter comigo.
Cheguei a Paris acabada, emocionalmente abalada e só me liberaram quando uma pessoa  anotou que eu tinha ali chegado.
Ou seja,completa arbitrariedade pelo constrangimento que me fizeram passar, pelo uso psicológico da força, e tudo que há de pior.  Tudo meu estava legal, no entanto, acharam que eu era "au par",  por mais que eu e meu  Host  explicassemos diferente.
Assim, estragaram meu projeto de aprender  inglês e  pesquisar sobre  meu tataravô Henry Mc Cormick, que chegou ao Brasil no século  XlX.
Dessa forma, como cidadã  brasileira, que nada deve a qualquer  Estado gostaria  de fazer essa representação, pois certamente quando chegam ao Brasil não sofrem esse tipo de  constrangimento.   
Gostaria que o Itamaraty fizesse uma representação de repúdio a esse tipo de atuação e de constrangimento ao cidadão brasileiro. Pois, por maior que seja a autoridade dos policias e seu poder discricionário, eles não podem agir da maneira que agiram.
Aguardo um posicionamento e uma resposta do Itamaraty.
Estou mandando essa carta a todos os lugares que posso.
Obrigada, 
Elis Crokidakis Castro
Cidadã brasileira.

2 comentários:

  1. Perfeito!!!! Compartilhando aqui!!!! Eita libriana arretada, clamando por justiça.

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  2. Tremendo com os detalhes, amiga!
    Fez muito bem em escrever. Também tô compartilhando.

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